Bem Vindos !

Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Americanos e pezinhos de porco

Transcrito do Sempre Jovens de 21 de Julho de 2009


Há já uns bons anos atrás, mais precisamente em finais de Maio de 1969, encontrávamo-nos atracados na base naval de Norfolk, estado da Virgínia, USA, na fase final de uma operação destinada a instalar a bordo diverso equipamento electrónico.

Dado que já lá estávamos há quase dois meses, a maioria das provisões trazidas de Lisboa tinham esgotado, tendo o colega encarregado dos abastecimentos de procurar no mercado local aquilo que nos fazia falta. Numa dessas ocasiões dirigiu-se ao talho, situado dentro da base, levando com ele o cozinheiro. A ideia era comprar algo de diferente daquilo que tínhamos vindo a comer nas últimas semanas, e de que a maioria já se sentia enjoada - lombinhos de bacalhau fresco!

Dentro do estabelecimento, no Inglês possível, ele pediu uns quantos quilos (a quantidade, não sei dizer) de pezinhos de porco. O talhante olhou para ele com ar incrédulo, de espanto, e pediu que ele repetisse o pedido. Soletrando as palavras, com muito cuidado e devagarinho para não atropelar a gramática, ele fez-lhe a vontade, mas tudo o que com isso conseguiu foi que o sujeito mostrasse um ar ainda mais incrédulo, de quem não podia acreditar no que estava a ouvir, e não se conteve. “Mas vocês têm muitos cães a bordo? ”, perguntou.
Desta feita, foi o nosso colega a fazer uma cara de espanto, a ficar de boca aberta, mas logo recuperando ao perceber o alcance da pergunta. “Não, nós não temos nenhum cão a bordo; a carne é para a guarnição, e nós somos cento e sessenta”. E a curiosidade do magarefe pareceu quedar-se por ali - não fez mais perguntas; estava esclarecido quanto ao que aqueles “estranhos” clientes dele pretendiam, e isso era certamente tudo o que lhe interessava naquele momento saber.

Mas, lá dentro daquela cabecinha, certamente estaria ele dando voltas para tentar perceber os exóticos hábitos alimentares daquela gente que tinha na frente - como é que seres humanos podiam comer aquilo? Pezinhos de porco, tanto quanto ele sabia, era comida para cães lá na terra dele!
E, tal como previsto, lá nos deliciámos com uma rica feijoada, no dia seguinte, ao almoço!
Vitor Chuva
21-07-2009

Fernanda Ferreira

Sem comentários: