Bem Vindos !

Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Importância do sono

Transcrição:

Destak. 23- 02- 2011.   09.30H. Isabel Stilwell. | Editorial@Destak.pt

Teresa Piava, a maior especialista portuguesa de 'sono' não tem dúvidas em afirmar que os portugueses são o povo que menos dorme da Europa. Nem hesita quando diz que a falta de sono explica a irritabilidade nacional, as dificuldades de raciocínio e memória, e o insucesso escolar. Ah, e justifica, também, por que estamos mais gordos e hipertensos. E afinal, a solução é fácil: levar o sono muito, mas muito mais a sério.

Concluiu que Portugal é um país privado de sono. Porque é que deixámos de dormir tanto como devíamos?
De facto, o actual estilo de vida e as grandes mudanças culturais das últimas décadas em Portugal levaram a uma situação muito preocupante. Basicamente deitamo-nos tarde e acordamos cedo. Na minha juventude, por exemplo, a TV encerrava à meia-noite. E de manhã, os engarrafamentos obrigam a acordar cada vez mais cedo. Para não falar nas novas tecnologias, que não distinguem o dia da noite. Ou seja, as pessoas convenceram-se que não há nem limites nem limitações, aspecto que tem implicações no sono e com a vida em sociedade.

Quais as diferenças para os outros países europeus?

Nos países do Norte da Europa que conheço, como por exemplo a Alemanha, Inglaterra, Holanda, França e países nórdicos, a televisão não inicia programas interessantes às 23h; as crianças e jovens deitam-se muito mais cedo, os centros comerciais tem horários restritos. A noite é mais respeitada. Por isso, embora se queixem de uma restrição do sono, não atinge as nossas proporções.

As consequências desta privação de sono são graves?

Graves e múltiplas: mau rendimento intelectual, mau aproveitamento escolar nos jovens, irritabilidade, problemas de memória e emocionais. Isto no curto prazo, porque a longo há risco acrescido de doenças como hipertensão, diabetes, obesidade, insónia, depressão, cancro da mama, útero e próstata, e claro os acidentes. Um jovem à saída de madrugada de uma discoteca ao fim-de-semana, depois de ter consumido álcool, é uma verdadeira bomba-relógio. Os acidentes de viação e de trabalho têm muitas vezes como causa a falta de horas dormidas.

A obesidade é uma consequência porque enquanto dormimos não vamos ao frigorífico!?!

Também! Mas o que acontece é que no sono há controlo do metabolismo e produção de hormonas que reduzem o apetite. Quando não dormimos, esses mecanismos deixam de funcionar, ou funcionam pior. Já a hipertensão, resulta do aumento matinal do cortisol, que acontece quando há privação de sono.

A falta de sono pode explicar que aspecto da crise?

A irritabilidade geral e o tom desagradável de muitos diálogos; as dificuldades cognitivas e de memória que atrasam o encontrar de soluções (o povo diz, e é verdade, que o travesseiro é bom conselheiro); o ar desgastado e envelhecido nítido de muitas pessoas com cargos dirigentes.

E a crise agrava, por sua vez, a falta de sono. Dormir mal é um dos sintomas da depressão e da ansiedade, não é?

Sim, há muitas pessoas preocupadas com o futuro, frustradas por terem expectativas defraudadas, com problemas concretos de sobrevivência por existirem vários desempregados na família, preocupadas com os filhos que não arranjam emprego, nem têm perspectivas de o arranjar. A insónia e a depressão andam de mãos dadas, isto é, cada uma pode provocar a outra, e pode-se curar uma depressão sem curar a insónia, e vice-versa. Estes factores agravam ainda mais os problemas.

Os últimos números indicam que voltámos a subir no consumo de ansiolíticos e antidepressivos. Que efeito têm sobre o sono, e a qualidade desse sono?

São números expectáveis, dadas as actuais circunstâncias. A grande questão é que esses fármacos têm efeitos nocivos a longo prazo sobre a memória. Encontrar a solução certa para quem sofre de ansiedade ou depressão não é fácil, porque não dormir também é prejudicial. Defendo que o tratamento deva ser muito bem equacionado em termos clínicos e ajustado caso a caso.

Defende que os problemas do sono começam na infância. As nossas crianças precisam de aprender a dormir?

Para mim é muito claro e seguro que sim. Iniciei com a professora Helena Rebelo Pinto um projecto designado 'Sono-Escolas', que tem como objectivo divulgar nas escolas conhecimentos básicos sobre o sono e a sua relação com a saúde, a educação e o comportamento social. Mas que pretende também estruturar um sistema de observação e registo do sono dos alunos, sensibilizar as crianças e os jovens para a importância de dormir bem e para a aquisição de bons hábitos de sono. E ajudar os professores a conseguirem intervir para melhorar o sono dos seus alunos.

E como é que tem sido a adesão das escolas?

Tem sido enorme, com muitos pedidos de acções de esclarecimento e para entrar no projecto em todas as regiões do País. E a imaginação das escolas, dos alunos e dos professores espanta-nos diariamente. Muitas preparam já acções especiais para comemorar o Dia Mundial do Sono, que é a 18 de Março.

Mas que efeitos é que a falta de sono tem na maturação do corpo e do cérebro das crianças e dos adolescentes?

É particularmente nefasta nesta fase, porque é durante o sono que é produzida a hormona do crescimento. Para além disso, o sono é fundamental na organização de memórias e processos cognitivos...

Quem não dorme não aprende, ou aprende menos?

Exactamente, e os pais têm de ter consciência disso. Chegam tarde e querem estar com os filhos, mas depois os filhos acabam por se deitar tardíssimo. Com consequências mais graves do que a birra para acordar de manhã...

A sociedade continua a associar o dormir à preguiça. É quase pecado dizer que se gosta de dormir- porquê?

Há uma tradição cultural ambivalente em muitos aspectos: por um lado diz-se que «quem dorme muito aprende pouco», mas por exemplo Einstein gostava imenso de dormir; depois há a crença de que «deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer», o que está longe de ser verdade...

Isso são óptimas notícias, mas como é que explica a 'culpa' por dormir...

Porque também há uma ambivalência mal sã relativamente à própria noção de prazer, que acaba por ser apresentada de forma equívoca. Deve dizer-se que é tão mau dormir pouco, como dormir demais.

Gosta de dormir?

Gosto de dormir, o que não me tem feito mal nem em termos profissionais, nem em termos de saúde, nem em termos de boa disposição.
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Apneia e ressonar levam a procurar ajuda

Os seus livros são simples e directos. Bom Sono, Boa Vida conta, por exemplo, a história dos problemas de sono de vários tipos de pessoa com que o leitor se pode ir identificando. Recentemente, em parceira com Helena Rebelo Pinto, editou livros para ajudar as crianças a compreender o que é o sono e a sua importância (e de caminho pais e professores). Para lá do seu trabalho clínico, está envolvida em vários projectos nacionais e internacionais nesta área, que pretendem descobrir mais sobre o cérebro dos esquizofrénicos, através da monitorização dos seus ciclos de sono, ou de que forma o sono, e a falta dele, afecta os neurónios dos adolescentes. A apneia do sono é, assim como o ressonar, uma das causas que leva mais doentes ao seu consultório, porque para além do medo de «não acordar», sentem-se cansados, apesar de aparentemente terem «dormido bem».

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Novo marcador determina risco cardiovascular

Um investigador da Universidade de Coimbra (UC) anunciou a descoberta de um novo marcador para determinar o risco cardiovascular em pessoas aparentemente saudáveis, através de uma técnica que mede a elasticidade das artérias.

A equipa de João Maldonado identificou a utilidade da Velocidade de Onda de Pulso Aórtica (VOP) como marcador de um risco latente de eventos cardiovasculares, através de um exame que se baseia no registo das ondas de pressão que acompanham a expulsão do sangue em cada contracção cardíaca.

"A velocidade com que as ondas de pressão progridem determina o estado de rigidez arterial (quando a velocidade é elevada) ou a sua boa distensibilidade (quando a velocidade é reduzida), sendo assim o parâmetro denominado a Velocidade da Onda de Pulso Arterial (VOP)", explica o médico à agência Lusa.

Segundo João Maladonado, trata-se de um exame simples e "fortemente discriminador do risco cardiovascular", podendo ser comparado, em termos de exigência técnica, à realização de um electrocardiograma.

O estudo desenvolvido pela equipa de João Maldonado durou seis anos e incidiu sobre mais de 2000 pacientes, demonstrando que existe um risco cinco vezes superior para ocorrência de um evento cardiovascular quando se regista uma rigidez arterial elevada (medida pela VOP através de um electrocardiograma).

O estudo foi apresentado esta sexta-feira no Congresso Português de Hipertensão, que teve início em Vilamoura, no Algarve, e se prolonga até ao próximo domingo.

retirado daqui

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Receita da Coca-Cola terá sido desvendada

Desde que foi criada em 1886, a receita da Coca-Cola tem sido mantida em segredo, guardada num cofre dos EUA. Mas agora, 125 anos volvidos, o mistério parece ter acabado já que um site da Internet, responsável por um programa de rádio, acredita ter descoberto as quantidades exactas dos ingredientes que compõem a Coca-Cola.

A resposta foi encontrada pelo "Thisamericanlife.org"num jornal da cidade onde foi criado o refrigerante, Atlanta, Georgia. O artigo datado do ano de 1979 mostra publicada uma fotografia onde se pode ler a receita completa da Coca-Cola e que até agora tinha passado despercebido.

Segundo Mark Pendergrast, um especialista na história da bebida, consultado pelo site, esta parece ser mesmo a receita autêntica da bebida criada pelo farmacêutico John Pemberton. A receita terá sido passada à mão, a partir da original de Pemberton, por um amigo do farmacêutico para um livro.

Para lá do sabor a cafeína, limão e caramelo, o refrigerante tem na sua composição extracto de folhas de coca (que lhe deram o nome de Coca-Cola), o "merchandise 7X", óleos de canela, noz-moscada e, até mesmo coentros.

A Coca-Cola é um dos refrigerantes mais vendidos e reconhecidos no mundo. Desde a sua criação até agora já é vendida em mais de 200 países. Veja abaixo a receita agora descoberta transcrita.

Receita da Coca-Cola:

Extracto fluido de coca - 11,07 mililitros (ml)
Ácido cítrico - 3oz (aprox. 90ml)
Cafeína - 1oz (aprox. 30ml)
Açúcar - 30 # (na receita a medida não é clara)
Sumo de limão - 1qt (aprox. 950ml)
Baunilha - 1oz (aprox. 30ml)
Caramelo - 1.5oz (aprox. 45ml)

Aromatizante 7X

Álcool - 8oz (aprox. 230ml)
Óleo de laranja - 20 gotas
Óleo de limão - 30 gotas
Óleo de noz-moscada - 10 gotas
Óleo de coentros - 5 gotas
Óleo de canela - 10 gotas
Óleo de neroli - 10 gotas

retirado daqui

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Médico esclarecido? Ou anti-médico?

Já tinha recebido este texto há muito, mas hoje voltou a chegar. Os argumentos são lógicos. Alguns conselhos já são meus guias!!!

Este é o MEU médico...!

Com certeza a agenda dele deve estar preenchida até 2100! (no mínimo)

Dr. Paulo Ubiratan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local, foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados...

Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!

P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência... .O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango.

P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!

P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Minha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!

P: Frituras são prejudiciais?
R: Você não está me escutando!!! ... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?

P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.

P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boa para se ficar feliz !!! E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: Valeu !!! Que viagem!!!

P.S.: Se caminhar fosse saudável o carteiro seria imortal...! baleia nada o dia inteiro, só come peixe, só bebe água e é gorda....!

Lembrando:
Coelho corre, pula e vive 15 anos, tartaruga não corre , não faz nada e vive 450 anos

Imagem da Net

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MEDICINA ORIENTAL

Um ocidental em visita à China ficou surpreso de ver a quantidade de velhos saudáveis e, curioso sobre os aspectos da milenar medicina chinesa, indagou de um experiente médico qual o segredo para se viver mais e melhor.

Ouviu do mesmo a sábia resposta:

"- É muito simples.
É só:
1-Comer a metade.
2-Andar o dobro.
3-E rir o triplo."
Resumindo disse o amigo João : A nossa saúde e, portanto, a nossa longevidade, depende de duas coisas - o que se come (quantidade e qualidade)e o que se pensa. Realmente, o riso, o raciocínio positivo e confiante, são uma grande ajuda na nossa saúde, na nossa felicidade.
Aconselho que experimentem e daqui a uns 30 anos iremos conversar sobre os resultados!!!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alimentação das crianças exige cuidados


Transcrição do seguinte artigo:


Destak. 09 | 02 | 2011 09.52H DESTAK/LUSA

As crianças australianas vão viver menos anos que os seus pais se persistirem nos maus hábitos alimentares e na falta de exercício, indica um estudo hoje divulgado pela Fundação Nacional de Saúde da Austrália.

Um em cada quatro alunos australianos entre os oito e os onze anos sofre de excesso de peso ou obesidade o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e, inclusivamente, o cancro, refere a imprensa citando o estudo.

Elaborado entre 2009 e 2010, o estudo abrangeu 12 000 estudantes de 237 escolas e os resultados mostram que só 14 por cento dos menores consome as quantidades de fruta e verduras recomendadas e que 85 por cento não tem hábitos de prática de exercício físico.

“Quando as crianças ficam obesas, aumentam os riscos de doenças crónicas como o cancro na idade adulta, reduz-se a esperança de vida e há que lançar o alerta aos australianos”, disse Ian Olver, presidente do Conselho contra o Cancro que também colaborou no estudo.

Um terço dos estudantes admitiu que bebia quatro ou mais latas de refrigerantes por semana, 71 por cento passa mais de duas horas diárias em frente da televisão e dedica algum tempo a jogos em consolas nas escolas.

Cerca de metade dos alunos alvo no estudo afirmaram ter três ou quatro aparelhos de televisão em casa, incluindo um no seu quarto de dormir e admitiu experimentar uma nova bebida quando esta é anunciada na televisão.

Imagem da Net

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Avanços médicos de 2010


A Reader's Digest revê as últimas descobertas da medicina, a Prémio Nobel Elizabeth Blackburn fala-nos do seu trabalho em envelhecimento celular e seis investigadores de ponta falam-nos das suas esperanças para futuros avanços.


Brevemente: olho biónico para restabelecer a visão.
Cientistas australianos maravilharam o Mundo com o implante coclear – o «ouvido biónico» –, e agora a mesma equipa está a trabalhar num «olho biónico». Neste momento, o Dr. Anthony Burkitt, director de pesquisa da Bionic Vision Australia e professor de Engenharia na Universidade de Melburne, está suficientemente confiante para afirmar que «este novo dispositivo será muito superior a outros implantes retinais em desenvolvimento». O olho usa uma pequena câmara de vídeo fixada aos óculos do paciente para captar imagens. Estas são por sua vez traduzidas para um impulso eléctrico que estimula eléctrodos inseridos na mesma zona da retina que é normalmente activada pela luz. Com o tempo, o paciente aprende a interpretar estes sinais neurológicos como visão útil.
«O princípio é o mesmo que o do ouvido biónico, mas há mais desafios técnicos», diz o Prof. Rob Shepherd, director do Instituto do Ouvido Biónico, que também colabora com a Bionic Vision Australia no projecto. O ouvido biónico ofereceu uma quantidade útil de informação auditiva com 22 eléctrodos. No entanto, um substituto do olho, para ser útil, necessita de, pelo menos, 100, talvez 1000, eléctrodos. À medida que a tecnologia evolui e são adicionados mais eléctrodos, a qualidade da visão permitirá aos cegos reconhecerem faces familiares e lerem textos em tamanho grande. »

Um protótipo de 100 eléctrodos começará a ser testado em pacientes em 2013, e um modelo de 1000 eléctrodos é esperado cerca de 2015.

Uma hipótese contra o cancro

Depois de 30 anos de começos desanimadores, finalmente estão a caminho «vacinas» contra o linfoma, o cancro da próstata, melanoma e neuroblastoma.

No ano passado, um teste a pacientes com melanoma em estádio avançado teve 22% de resposta favorável a uma vacina combinada com uma substância de imunoterapia, a interleukina-2 (IL-2), comparada com 9,7% em pacientes que receberam tratamentos convencionais. Segundo o Dr. Patrick Hwo, chefe de Melanoma no Centro de Cancro M.D. Anderson da Universidade do Texas, «se pudermos usar as defesas do corpo para atacar células cancerígenas, poderemos eliminar o cancro do corpo sem destruir tecido saudável».
A vacina actual apenas pode ser dada a 50% das pessoas com melanoma e tem de ser compatível com o tipo de tecido do paciente. «Os estudos tentam identificar que pacientes responderão». 2-5 anos

Vacinas: a próxima geração

Vacina oral sem agulhas

Em 2005, Barry Marshall, um cientista de Perth, ganhou o Prémio Nobel por descobrir que a bactéria Helicobacter pylori causa úlceras de estômago. Marshall tem estado a trabalhar em formas de dar melhor uso a este «bicho», que existe naturalmente no estômago – como um portador de vacinas.

O seu plano? Se pegarmos em algum ADN de um agente nocivo – como o vírus da gripe – e o clonarmos dentro de H. pylori, ele começa a exibir partes do vírus à superfície. «Quando o H. pylori se desenvolver no seu estômago, você fica vacinado contra a gripe», explica. 10 anos

Redução do risco de HIV

Em Setembro, investigadores americanos relataram a primeira vacina bem-sucedida num teste com mais de 16 000 pessoas na Tailândia.
A vacina reduz o risco de doença em quase um terço. O Dr. Seth Berkley, CEO da Iniciativa Internacional da Vacina da sida, considera o estudo pioneiro. «Vimos pela primeira vez que uma vacina da Sida pode prevenir a infecção em humanos.» Apesar de a vacina ainda não estar disponível, oferece um salto em frente sem precedentes. 10 ou mais anos

Um exame mental mais rápido

Um portal para a mente

Cientistas no Centro de Pesquisa Psiquiátrica Alfred Monash, em Melburne, desenvolveram uma sonda do ouvido que oferece uma linha directa ao cérebro e que eles acreditam ir revolucionar o diagnóstico e tratamento das doenças mentais.
A sonda usa o canal auditivo para chegar a partes do cérebro que controlam o equilíbrio, mas onde podem também aferir a depressão e a esquizofrenia. O inventor Brian Lithgow, um investigador biomédico da Universidade de Monash, chama-lhe «o ECG (electrocardiograma) da mente», analisando os sinais eléctricos do cérebro da mesma forma que o ECG detecta os problemas do coração.

Uma das principais vantagens: pode detectar diferenças de sinais em pessoas com doença bipolar, distinta das unipolares ou simples depressão. Diz Lithgow: «A depressão bipolar pode levar anos a ser diagnosticada correctamente. Agora abre-se a possibilidade de fazer isso numa hora.» 5 anos

Poder para o coração
Monitorização móvel

A tecnologia bluetooth apresta-se a mudar os exames médicos, especialmente do coração. A Alive, uma pequena companhia da Costa Dourada da Austrália, desenvolveu um sistema que regista e transmite os dados do seu ritmo cardíaco via telefone móvel – para que o seu especialista o avise quando aparecer um problema.
Os monitores Alive já estão a funcionar. Pacientes em cardiorreabilitação podem agora ser seguidos quando fazem exercício. Agora

Preservando os corações doados

Os transplantes de coração são uma corrida contra-relógio: os corações começam a deteriorizar-se 5 horas depois de retirados do corpo. Cientistas do Instituto de Investigação Cardíaca Victor Chang, em Sydney, reformularam a solução que protege o coração doado, duplicando potencialmente o tempo de vida do órgão fora do corpo. Testes com órgãos humanos começam este ano.
De momento, cerca de 60% dos corações doados são excluídos devido à idade do dador ou ao estado do coração. Segundo o Prof. Peter Macdonald, líder do projecto, «pensamos que a solução vai permitir-nos usar corações mais vulneráveis ao dano e potencialmente aumentar o número de transplantes em cerca de 50%».
A equipa espera que a solução também funcione com outros órgãos, como pulmões, fígado, rins e pâncreas. 2 anos

Cancro: melhores diagnósticos e tratamentos
Tratamento direccionado

Robert Goldman fez fortuna como engenheiro de software, mas quando a sua irmã contraiu cancro do cólon terminal, empenhou o seu dinheiro em desenhar um dispositivo que pudesse oferecer melhor quimioterapia à irmã. O ano passado, depois de oito anos de pesquisa, a FDA aprovou o Iso- Flow de Goldman. Um cateter minúsculo é inserido nas veias do paciente para levar a medicação directamente aos vasos que alimentam o tumor, sem afectar as células saudáveis. «É mais um ataque cirúrgico do que um bombardeamento da área», diz o Dr. Huy Do, um neurorradiologista da Escola de Medicina de Stanford. Agora

Rastreios de cancro mais rápidos

Cientistas americanos usaram com sucesso nano-sensores para localizar com precisão o cancro no sangue de pacientes. Os testes mais recentes podem detectar as mais pequenas concentrações de biomarcadores de cancro, na ordem dos trilionésimos de grama por mililitro, o equivalente a conseguir detectar um só grão de sal dissolvido numa piscina grande. Em vez de esperar dias por resultados de laboratório, o teste faz uma leitura em poucos minutos. 2-3 anos

Regeneração do peito

Mais de 5000 mulheres australianas por ano perdem os seus seios para o cancro da mama. Uma técnica experimental pode permitir-lhes desenvolver os seus próprios seios «sobresselentes» em cerca de 6 meses. A tecnologia Neo-Pec
envolve o implante de uma câmara biodegradável debaixo da pele para servir de alicerce ao novo peito.

Um vaso sanguíneo da axila é redireccionado para uma área de tecido gordo do paciente. A gordura cresce até preencher a câmara, que se dissolve quando o novo peito estiver formado. É uma alternativa natural ao implante de silicone, diz o Prof. Wayne Morrison, do Instituto Bernard O’Brien de Microcirurgia. 3 ou mais anos

Molécula de Tróia

Cientistas do Instituto da Austrália Oeste para a Pesquisa Médica desenvolveram uma molécula  recheada com um agente inflamatório que se associa especificamente aos tumores pancreáticos e atrai milhões de células imunitárias para o local a fim de matar o tumor.
«O que activa o sistema imunitário é o agente inflamatório que adere ao tumor e inflama a área – idêntico ao que acontece numa inflamação de pele – e as células imunitárias vêm a correr para lutar contra a infecção», explica a Prof.ª Ruth Ganss, que dirige a equipa.  5-10 anos
 
Diabetes: melhores terapias e qualidade de vida

Suspensão de tratamento

O Sistema Minimed Veo, da Medtronic, suspende a administração de insulina se o seu utilizador não responder a avisos para reduzir o risco de hipoglicemia. Agora

Brincadeira de crianças

O Glucoboy foi o primeiro monitor que é ao mesmo tempo um jogo de computador que recompensa as crianças por testar os seus níveis de glicose.
Mais recentemente, a Bayer lançou o monitor Didget, que liga directamente aos sistemas Nintendo DS. Agora

Pâncreas artificial

Há décadas que os investigadores tentam coordenar o doseamento da insulina com as flutuações do açúcar no sangue.
Cientistas da Universidade de Cambridge estão a desenvolver um sistema de pâncreas artificial que combina um monitor contínuo de glicose com uma bomba de insulina com um algoritmo que calcula a insulina necessária. Em testes nocturnos, crianças mantiveram um nível normal de açúcar no sangue 60% do tempo, comparados com os 40% com uma bomba normal. O director do estudo, Roman Hovorka, diz: «Isto é criticamente importante porque entre 50 e 70% das emergências hipoglicémicas ocorrem de noite.» 4 anos

Doce descoberta

Cientistas da Universidade do Cruzeiro do Sul, em Lismore, descobriram compostos na cana de açúcar que controlam a absorção de hidratos de carbono e reduzem os níveis de açúcar no sangue. Em testes, os compostos mostraram-se 125 vezes mais eficazes que o equivalente farmacêutico. Os composto foram transformados numa substância chamada Gl-Wise, que pode ser usada como aditivo alimentar ou como base para novos medicamentos. 5 anos

Robôs em lugares de difícil acesso

Investigadores em Melburne estão a a trabalhar num motor mais pequeno que a espessura de 4 cabelos humanos. O «Motor Proteus» vai ser suficientemente pequeno para ser injectado na corrente sanguínea, navegar nas artérias e órgãos e efectuar procedimentos cirúrgicos de risco. «Robôs-miniaturas controlados remotamente, suficientemente pequenos para nadar pelas artérias, podem salvar vidas por chegar a partes do corpo inacessíveis aos cateteres», diz o Prof. James Friend, da Universidade de Monash. 5 anos

Prof.ª Jennie Brand-Miller
Professora de Nutrição Humana na Universidade de Sydney, a Dra. Brand-Miller revolucionou o nosso conhecimento dos hidratos de carbono e alimentação com o seu trabalho no índice de glicemia (IG).

O avanço médico mais excitante dos últimos 12-18 meses?
A descoberta de que a síndroma de cólon irritável pode estar ligada à intolerância ao glúten em pessoas sem doenças do cólon.

Qual o avanço médico em que gostaria de ter pensado?
Implantes cocleares. Sou uma beneficiária, tenho dois ouvidos biónicos.

O nosso maior avanço médico em 2060?
A terapia por células estaminais tem a resposta para a diabetes tipo 1, lesões da espinal medula, doença de Parkinson e muitas outras doenças, como a surdez e a cegueira.

A sua descoberta de sonho?
Terapia de células estaminais para a surdez. A minha filha de 22 anos tem o mesmo gene de surdez que eu.

Área de saúde que mais precisa de um avanço?
Obesidade e diabetes tipo 2.


Prof. Ian Frazer
Imunologista da Universidade de Queensland, Austrália. Liderou a pesquisa sobre o vírus do papiloma humano e a vacina para o cancro cervical.

O avanço médico mais excitante dos últimos 12-18 meses?
A sequenciação do genoma humano. Se conseguirmos traçar o mapa que explique porque algumas pessoas respondem bem a certas terapias e outras não, temos muito mais capacidade de enfrentar a doença.

Qual o avanço médico em que gostaria de ter pensado?
Todas as vacinas em que não tenha estado envolvido. As vacinas são o mais importante meio defensivo de saúde que temos.

O nosso maior avanço médico em 2060?
Passar a mensagem de que o que fazemos influencia o nosso risco de doença. Se as pessoas não fumarem, não se expuserem ao sol, não ganharem peso demais, não morrem aos 50 ou 60, mas sim aos 80-90.

A sua descoberta de sonho?
Uma terapia que retarde a ocorrência das doenças crónicas do envelhecimento, em particular a demência.

Área de saúde que mais precisa de um avanço?
A saúde mental. Se a virmos pelo grau de incapacidade, está no topo da lista.


Prof. Salim Abdool Karim
Epidemiologista de doenças infecciosas no Centro para o Programa de Investigação da Sida na África do Sul. O Dr. Abdool Karim é um dos mais eminentes investigadores mundiais do HIV/sida.

O avanço médico mais excitante dos últimos 12-18 meses?
A descoberta de que a circuncisão médica pode reduzir a incidência do vírus HIV em cerca de 60%.

Qual o avanço médico em que gostaria de ter pensado?
Dois estudos separados, um nos EUA outro no Uganda, dão mostras de que drogas anti-retrovirais tomadas por mulheres grávidas podem evitar que os recém-nascidos sejam infectados pelo HIV.

O nosso maior avanço médico em 2060?
Uma vacina para a sida, a nossa melhor esperança contra a infecção por HIV.

Prof.ª Judith Whitworth
Perita em hipertensão.

O avanço médico mais excitante dos últimos 12-18 meses?
O Governo Britânico tem trabalhado com a indústria alimentar para reduzir o sal na comida processada e reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Se conseguirmos reduzir a ingestão de sal substancialmente em todo o Mundo, preveniremos muitos milhões de mortes (bem como deficiências).

Qual o avanço médico em que gostaria de ter pensado?
A revolução da bioinformática, que está a transformar a biologia e os cuidados médicos, pela capacidade de ligar e manipular dados de todos os tipos.

A sua descoberta de sonho?
Compreender o cérebro e a mente tão bem como compreendemos o corpo. Ligar o conhecimento de como uma simples célula nervosa funciona com a supercomputação, para compreender as redes de biliões de células nervosas nos nossos cérebros, que irá revolucionar cada aspecto da nossa vida e reduzir o fardo da demência e doenças mentais.

Prof. Stephen O’Rahilly
Professor de Bioquímica Médica e Medicina na Universidade de Cambridge. É um dos principais investigadores mundiais nas causas genéticas e fisiológicas da obesidade.

O avanço médico mais excitante dos últimos 12-18 meses?
Estudos genéticos que mostram as vias no corpo responsáveis por controlar factores como peso do corpo e glicose do sangue. Se conseguirmos compreender como o carro é construído, somos muito mais capazes de o afinar.

Qual o avanço médico em que gostaria de ter pensado?
O trabalho dirigido pelo Dr. Jeffrey Friedman, que identificou a leptina, um sinal hormonal produzido pelas células de gordura que regula a absorção de comida e dispêndio de energia.

O nosso maior avanço médico em 2060?
A capacidade de compreender o genoma humano. Em 2060, teremos uma noção muito maior das bases de muitas doenças.

A sua descoberta de sonho?
Descobrir formas de prever e prevenir perturbações psiquiátricas pela melhor compreensão da biologia.