Bem Vindos !

Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Gravidez


Transcrição de artigo que merece atenção de jovens futuras mães:


Jornal de Notícias. 25 de Outubro de 2010. Por Maria Cláudia Monteiro

Uma gravidez saudável deve ser pensada antes da concepção, explicaram num exercício de “medicina aberta” especialistas do Hospital de S. João, no Dia da Pré-Mamã. As futuras mães registaram, mas não acreditam no serviço dos centros de saúde.

Isabel Sousa tem 42 anos e planos para engravidar nos próximos 12 meses. E foi por ter a certeza da incapacidade do centro de saúde para a ajudar, que foi ao Dia da Pré-Mamã, organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Na primeira pausa para perguntas aos especialistas, foi pragmática: “Quero engravidar no próximo ano e não tenho médico de família. Gostava de saber o que fazer”.

Será talvez este mais um desafio para o Serviço Nacional de Saúde: dar resposta aos cerca de 500 mil portugueses sem médico de família, provada que está a importância do planeamento da gravidez para contrariar o retrato da concepção no país.

“Em Portugal, cada vez mais se engravida menos, mais tarde e pior”, explicou ao JN Nuno Montenegro, director do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de S. João, no Porto. Não podendo a Medicina impedir que as mulheres tenham cada vez menos filhos e mais tarde, pode pelo menos trabalhar para que gravidezes saudáveis gerem bebés saudáveis.

“Quanto melhor for a saúde da mãe, quanto mais saudável for, menor será o risco de complicações ligadas à gravidez”, explicou Isabel Campos, também especialista em Ginecologia e Obstectrícia, que no Dia da Pré-Mamã explicou à plateia a importância de uma antecipada desabituação tabágica, alcoólica e de substâncias ilícitas.

“O período de maior sensibilidade ambiental para o embrião situa-se entre os 17 e 56 dias após a fecundação, antes mesmo que muitas mulheres reconheçam que estão grávidas ou tenham oportunidade de iniciar os cuidados prénatais”, explicou Isabel Campos.

“O ácido fólico, por exemplo, não tem interesse na fase pós-concepção, mas antes da concepção e durante as primeiras semanas”, esclareceu Nuno Montenegro. Durante a sessão na Faculdade

Uma intervenção precoce junto de mulheres com doenças crónicas é também fulcral, uma vez que permite fazer ajustes essenciais na medicação para o desenvolvimento de uma gravidez saudável. “O sucesso da gravidez depende do controlo de base”, insistiu Isabel Campos, na sessão do Dia da Pré-Mamã. No caso, por exemplo da diabetes e da epilepsia, as mulheres devem começar a tomar ácido fólico nos três meses anteriores à concepção, como as restantes, mas numa dose superior.

Isabel Sousa ficou esclarecida com a sessão, da qual saiu disposta a procurar ajuda junto de um médico particular. “Não tenho alternativa, não é? Tenho de começar a fazer exames”, disse.

Numa consulta ou abordagem pré-concepcional é possível tomar medidas que identificar condições maternas e paternas potencialmente prejudiciais para a mãe ou para o feto, explicou a professora Isabel Campos.

Exposição a substâncias tóxicas e teratogenias (que pode dar origem a malformações):
Em casa – pesticidas e solventes;
No trabalho – metais pesados e solventes orgânicos; radiações; trabalhos pesados, longa permanência em pé, viagens exaustivas;

Hábitos:
Tabaco – recomenda-se o abandono de hábitos tabágicos antes ou durante a gravidez inicial ou, pelo menos, a redução do total de cigarros por dia para um número de dez.
Álcool – é a principal causa evitável de atraso mental, pelo que se recomenda a abstinência antes e durante a gravidez.
Substância ilícitas – recomenda-se a abstinência total deste tipo de substâncias;

Medicação Crónica:
Deve ser adequada a toma de medicação crónica, designadamente em doenças como a epilepsia; a hipertensão e a diabetes. As grávidas que sofram de doenças crónicas têm de ter um maior acompanhamento médico durante a gestação.

Doenças infecciosas e imunizações:
Uma mulher que pense engravidar deve ter a vacinação anti-tetânica em dia, fazer o rastreio da infecção pelo VIH e da sífilis, fazer a vacinação da hepatite B e da rubéola. A mulher só pode engravidar três após a vacina da rubéola.
Deve também estabelecer se a mulher é imune à toxoplasmose e ao CMV.

Nutrição e Peso:
As mulheres que pensem engravidar devem fazer uma suplementação com ácido fólico, que deve ser feita numa dose acrescida no caso da diabetes e da epilepsia;
O consumo de vitaminas e de cafeína deve ser moderado.
Excesso ou défice de peso podem implicar algumas complicações durante a gravidez.
Numa consulta pré-concepcional, a saúde oral, bem como o risco psico-social da mulher (violência doméstica, saúde mental e situação financeira) são também despistados.

Sem comentários: