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Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cuidado com o sol. Melanoma

Transcrição do artigo:

Público. 25.07.2010. Por Romana Borja-Santos, em Chicago

A praia por períodos curtos mas intensos é uma das causas do aumento dos tumores na pele.

Aos primeiros raios de sol a vontade de correr para a praia é mais que muita. Estende-se rapidamente a toalha e aproveita-se, hora após hora, aquele calor que se entranha na pele e que parece aquecer até os ossos. Não se sabe até quando dura o bom tempo. O melhor é, por isso, torrar e aproveitar os banhos de mar o dia todo, para ficar rapidamente com um bom bronze ou aquele tom de lagosta que não engana ninguém.

A exposição intensa nas férias de Verão pode potenciar o aparecimento de cancro da pele.

Caso se reveja neste cenário, saiba que acabou de dar uma excelente ajuda ao cancro da pele - uma das patologias oncológicas que mais aumenta e foi um dos principais temas debatidos no congresso da Associação Americana de Oncologia Clínica, que decorreu recentemente em Chicago. Em Portugal, há 10 mil novos casos por ano. São quase 30 portugueses por dia a receber este diagnóstico.

Existem três tipos principais de cancro da pele, que representam 97 por cento do total: o carcinoma baso-celular (também conhecido como basalioma e que corresponde a 67 por cento dos casos), o carcinoma espino-celular (20 por cento) e o melanoma (dez por cento). João Abel Amaro, da direcção da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, explica ao PÚBLICO que o primeiro "é um tumor de crescimento lento e baixa malignidade, pelo que nunca dá metástases à distância".

O segundo tipo tem "malignidade intermédia e potencial metastizante". Já "o melanoma é altamente maligno, com grande tendência para originar metástases noutros órgãos". A boa notícia: há cada vez mais estudos de substâncias especialmente eficazes nos casos avançados de melanoma.

Isto porque o melanoma, apesar de ser o tipo menos frequente, é o responsável por mais de 90 por cento das mortes por cancro da pele e o mais comum na vida urbana, com poucas mas intensas incursões à praia. "A exposição solar prolongada favorece o desenvolvimento do carcinoma baso-celular e espino-celular, como nos trabalhadores ao ar livre (pescadores, agricultores, construção civil)", esclarece Osvaldo Correia, secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo.

O também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto alerta, contudo, que "as queimaduras solares e a existência de múltiplos nevos [sinais] atípicos estão estatisticamente associadas a um maior risco de melanoma, que é o caso daqueles que se expõem ocasional, mas intensamente, ao sol, como os que fazem férias curtas mas intensas e repetidas ao longo do ano".

"Não nos podemos esquecer que tudo o que fazemos fica gravado na pele. É importante que as pessoas fiquem atentas às mudanças nos seus sinais e ao aparecimento de novos porque o diagnóstico atempado é determinante. Não queremos tratar melanomas metastizados, queremos sim removê-los numa fase inicial", diz Martinha Henrique, directora do serviço de Dermatologia do Hospital de Santo André, em Leiria. Mas o sol não é o único factor envolvido no processo.

"No caso do melanoma essa relação não é tão linear, desempenhando um papel importante os factores genéticos", esclarece João Abel Amaro, que foi director do Serviço de Dermatologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPO).

Genes e sol

Genética e sol de mãos dadas levaram a que, nos últimos dez anos, a incidência do melanoma em Portugal tivesse duplicado: passou de cinco casos para dez casos por 100 mil habitantes - uma estatística dentro da média mundial. António Ventura, 63 anos e gerente comercial reformado, soube no final de 2008 que era um dos 1000 portugueses que todos os anos entram nos números do melanoma.

"Sentia-me a perder forças de dia para dia e disse à médica de família que sentia uma impressão no estômago pelo que me pediu uma endoscopia e análises." Estava com uma grande anemia. Foi no hospital de Abrantes que se delineou o primeiro diagnóstico: um tumor no estômago. Maligno. Espalhado já para o fígado, ossos, pulmões..."

Não foi um caso comum. "Pensavam que era um outro tipo de cancro, um sarcoma. Eu aparentemente não tinha nenhum sinal na pele, mas a verdade é que tinha um melanoma já no estômago", explica Ventura.

De Abrantes foi encaminhado para o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, onde está a ser acompanhado. Removeu o estômago por completo e parte do fígado.

Imagem da Net

1 comentário:

Fernanda disse...

Amigo João,

Toda a informação é bem vinda nesta área.
Há cada vez mais casos e visivelmente menos cuidados.
Nem as criancinhas pequeninas são bem protegidas, o que é um crime.

Mesmo os que se protegem e cumprem podem ter problemas.
O Pedro é um desses casos.
Por ser ruivo e sardento, pele das mais intolerantes ao sol, sempre esteve protegido e nunca bronzeou. Vive na Suiça já há muitos anos, num país onde os dias de sol e calor se contam em dias. Contudo há uns três anos foram-lhe detectados 3 sinais dos que podem vir a degenerar.
Com ele, só mesmo sol à sombra.

Obrigada pelos avisos.

Beijinhos