Bem Vindos !

Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Controle de Danos


É tempo de olhar bem para as sardas e manchas.
Apesar das campanhas de sensibilização, todos os anos cerca de 35 000 europeus desenvolvem melanoma, e o número continua a aumentar. Nas páginas seguintes, descrevemos cinco crenças enraizadas sobre o melanoma que podem ser erros fatais.
  • MITO 1«Só se desenvolve melanoma se se apanhar um escaldão.»
O melanoma, de facto, desenvolve-se mais comummente em peles expostas ao sol, mas tome cuidado: pode crescer em qualquer lado. Os melanomas podem aparecer na sola dos pés, no céu--da-boca, nos olhos, sob as unhas, nos seios ou na região genital. E eis porquê: o melanoma é um cancro dos melanócitos, as células que produzem a pigmentação da pele. Tal como qualquer célula do corpo, os melanócitos podem sofrer mutações e desenvolver cancro. Apesar de se encontrarem maioritariamente na pele, os melanócitos existem em outros locais, até mesmo na garganta – e onde quer que exista um melanócito, pode desenvolver-se um melanoma.
Os melanomas também se podem espalhar da sua localização original para qualquer outra parte do corpo. À medida que o melanoma cresce para as camadas inferiores da pele, as células cancerígenas entram na corrente sanguínea ou no sistema linfático e podem ser transportadas pelo corpo, alojar-se e começar a formar um tumor secundário em órgãos como o cérebro, os pulmões, o fígado, até 10 ou 15 anos depois. Este fenómeno é conhecido como «metástase» e é extraordinariamente perigoso – normalmente, é fatal nos primeiros 12 meses de diagnóstico.
É por isso que é absolutamente vital estar atento a todo o corpo – não apenas ao rosto, braços e pernas – para descobrir marcas novas ou alterações às que já existem. Um estudo australiano de 2008, feito com 3762 pessoas, descobriu que um exame a todo o corpo aumenta as possibilidades de detecção precoce do melanoma antes que o cancro se espalhe.
Por isso, vigilância apertada em todo o corpo – peça a um amigo ou companheiro que lhe veja a cabeça, as costas e demais partes do corpo que não consiga ver e vá a um dermatologista ou a um especialista em cancro da pele para ter uma segurança extra. O seu dentista também deve procurar por tumores na boca durante os exames de rotina: não se esqueça de lho pedir na próxima vez que tiver consulta.
  • MITO 2 «Só estão em risco as pessoas que passam muito tempo ao sol.»
É verdade que a exposição aos raios ultravioletas (UV) aumenta o risco de melanoma – mais de 80% dos melanomas são causados pelo sol. No entanto, uma exposição intermitente e forte à radiação UV – apanhar escaldões em fins-de-semana ou nas férias – faz mais estragos nas células da pele e pode, com mais probabilidade, causar melanoma quando comparada com uma exposição moderada ao sol todos os dias.
As pessoas que vivem nos climas mais quentes, perto da linha do equador, têm um risco aumentado, mas as que vivem em zonas mais frias não estão necessariamente a salvo.
«As temperaturas não têm uma correlação directa com a radiação – pode estar um dia frio, mas com um índice UV muito alto», explica Grant McArthur, professor associado do Centro de Investigação do Cancro Peter MacCallum, em Melburne, na Austrália. «Tem tudo a ver com o sítio onde se está no planeta.»
É também importante ter em conta onde passa as suas férias e períodos de descanso. Os europeus de pele clara passam normalmente férias em locais cheios de sol, como o Sul de França, e «baixam a guarda», diz o Dr. Orit Markowitz, professor assistente de Dermatologia no Centro Médico Mount Sinai, em Nova Iorque. Os investigadores crêem que esta exposição forte e intermitente ao sol – apanhar muito sol e escaldões nas férias ou nos fins-de-semana – pode fazer mais danos nas células, e causar, por isso, melanomas, do que uma exposição moderada e constante à radiação solar.
  • MITO 3 «O melanoma é coisa que atinge os mais velhos.»
As hipóteses de desenvolver melanoma aumentam com a idade, mas as pessoas mais novas também têm cancro. O risco maior surge quando há uma exposição solar grande na infância – é por isso que é tão importante proteger as crianças e ensinar-lhes hábitos saudáveis de exposição ao sol.
A ligação entre o sol e o melanoma é mais forte do que aquela que existe entre o tabaco e o cancro do pulmão, e quanto mais se expuser ao sol, mais o risco aumenta. De cada vez que apanhar um escaldão ou que a sua pele receba sol suficiente para se bronzear, isso é um sinal de que o ADN das suas células está a ser danificado pela radiação UV.
Em teoria, um só escaldão pode levar a um melanoma. «A maior parte das pessoas que consulto já apanhou mais do que um escaldão, mas, paciente após paciente, todos me dizem: “Sempre tive cuidado!”», conta o Prof. Richard Kefford, director de Pesquisa do Instituto do Melanoma, na Austrália. O seu conselho: «Seja qual for a idade, não corra nenhum risco.»
  • MITO 4 «O melanoma não tem cura.»
Cerca de 90% das pessoas a quem foi diagnosticado um melanoma têm alta e ficam bem após cirurgia, mas os restantes 10%, aquelas cujo melanoma se espalhou, têm sérios problemas. Até agora, são poucos os médicos que os podem ajudar. No entanto, existem hoje dois novos tipos de medicamento que foram recentemente colocados para aprovação pelas autoridades responsáveis norte--americanas e que devem chegar à Europa dentro de dois anos.
O Ipilimumab estimula o sistema imunitário para atacar as células do melanoma e melhora os índices de sobrevivência em pessoas com melanoma metastizado avançado.
Dois medicamentos, o Vemurafenib e uma droga similar chamada GSK2118436, visam o gene do cancro. Inibem a sua divisão e, assim, evitam a morte natural das células. «É uma terapia direccionada que ataca o calcanhar de Aquiles da célula, e por isso tem muito poucos efeitos secundários», explica o Prof. Richard Kefford.
  • MITO 5 «Uso protector solar, por isso está tudo bem.»
É preciso espalhar cerca de 35 ml pelo corpo – cerca de uma colher de chá por membro – para alcançar a necessária protecção, e é preciso ir aplicando à medida que o creme vai saindo.
O facto de já se estar bronzeado não traz qualquer protecção adicional. É também muito importante usar chapéu, óculos de sol e roupa protectora sempre que possível e procurar uma sombra. E quanto àquelas pessoas que durante anos perseguiram o bronzeado perfeito – será demasiado tarde para reparar os danos? Ainda vai precisar de se proteger contra a exposição solar – pode ter feito valentes estragos que lhe aumentaram o risco de doença.
 

1 comentário:

A. João Soares disse...

Amiga Fê,

Este é mais um post de grande interesse e utilidade.

É preciso ter muito cuidado com o sol e há que ter atenção a qualquer alteração da pele, em qualquer parte do corpo a fim de detectar precocemente uma hipótese de melanoma.

Beijos e bom fim de semana
João