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Quando era criança, na minha aldeia, ouvia com frequência a expressão dos mais simples objectivos das pessoas «haja pão e coza o forno». Realmente, havendo «saúde e alimentação», tudo acaba por ser resolvido. Decidi, por isso, guardar neste espaço, tudo o que estiver guardado nos blogs a que tenho acesso e o que venha a obter sobre este tema, com a convicção de que a saúde depende muito da alimentação e do estado de espírito. (A.João Soares)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A dor nas pessoas idosas


Segundo várias pesquisas, 70% das pessoas com mais de 65 anos têm dores.
Todavia, muitas dessas pessoas, pelas mais diversas razões, não se queixam, suportam a dor e o mal-estar, não pedem ajuda. Na verdade, a dor tira a essas pessoas o gosto pela vida, que se torna assim um verdadeiro sacrifício.
  • A idade aumenta a dor física?
É verdade que com a idade o número de doenças degenerativas (como a artrose) aumenta, assim como o risco de cancro.

É, pois, normal ver aparecer dores sintomáticas (que acompanham uma doença) à medida que se avança na idade. A artrose, que atinge sobretudo as articulações de sustentação, como o joelho e a anca, é de resto responsável pelo maior número de queixas ligadas ao envelhecimento. Mas o agravamento da dor com a idade permanece uma questão ambígua.

Em certas doenças (como a zona), as dores das sequelas são agravadas pela idade. Noutros casos, pelo contrário, não existe dor, mesmo em caso de patologias que se sabe serem dolorosas. Por exemplo, o enfarte do miocárdio, que provoca, em regra, uma dor típica, pode ser totalmente indolor numa pessoa idosa.

Por isso, os profissionais da dor não partem com ideias preconcebidas sobre cada caso. Para avaliar a dor do idoso, fazem-lhe perguntas: se tem dores, que tipo de dores, onde, quando. A questão da idade torna-se secundária, e os médicos procuram fazer urna avaliação individual.
  • Solidão e isolamento
Quando vive sozinha, isolada, longe da família, a pessoa idosa tem, para além da dor física, carências afectivas que são fonte de grande sofrimento. A morte de familiares e de amigos gera um sentimento de perda e de desespero.

A tristeza mistura-se com a agressividade, ou então é o medo da solidão e da dependência que se instala. Todos estes sentimentos devem ser percebidos e tidos em conta pelos que rodeiam a pessoa idosa, quer seja no hospital, em casa ou num lar.

O sofrimento moral, mais frequente se a pessoa estiver isolada ou fisicamente incapaz (por doença ou não), pode resultar numa depressão, como acontece em qualquer idade, razão pela qual deve procurar-se descobrir os sinais: as queixas são a expressão de um sentimento negativo.

Um médico ou um psicólogo podem ajudar a descodificar os sinais de sofrimento e a iniciar o tratamento.
  • Estar atento, saber ouvir
Por razões culturais, a pessoa idosa raramente se queixa de dores. Mas o sofrimento adivinha-se por mudanças do comportamento ou dos hábitos de vida: alteração do apetite, do sono, da forma como ocupa o seu tempo, agravamento de deficiência. Se detectar estes sinais num idoso seu familiar, consulte o seu médico assistente e/ou um especialista para que tomem conta da situação.

Se o idoso se manifesta, saiba ouvir o que ele tem para lhe dizer. Aconselhe-se junto de pessoal especializado em gerontologia (especialidade que procura ajudar o doente idoso em todos os seus aspectos). Por vezes, basta ter com quem falar. Outras vezes, é preciso ir mais longe (tratamento de uma depressão, por exemplo). Não há falta de medicamentos para tratar a doença nos idosos, mas, em contra partida, a dor destas pessoas é considerada banal - quantas vezes se ouve dizer: «Nesta idade é normal ter dores!» - e nem sempre sistematicamente avaliada, o que pode levar à sua subavaliação. A formação dos médicos e das equipas de assistência em matéria de dor permite esperar progressos rápidos neste domínio. A mediatização do problema ajuda a fazer evoluir as mentalidades.
  • Aliviar: os remédios existem
A panóplia dos antálgicos
Todos os medicamentos contra a dor são eficazes nos idosos: antálgicos (paracetarnol, aspirina), anti-inflamatórios, produtos à base de codeína, morfina, mas a sua prescrição torna-se difícil quando se trata de uma dor crónica que exige urna toma prolongada.

Com efeito, quando um idoso sofre de uma doença cardiovascular ou metabólica (hipertensão arterial ou diabetes, por exemplo), ele toma normalmente de forma escrupulosa os medicamentos receitados pelo médico. Em matéria de antálgicos, em contrapartida, constatou-se que os idosos tendem quer a abandonar o tratamento, quer a auto-medicar-se, aumentando as tomas.

Por isso, os médicos tentam fazer prescrições rigorosas, tendo em conta as contra-indicações possíveis (situação cardiovascular e renal) e as interacções eventuais com outros medicamentos receitados ao mesmo tempo. Para um idoso, preconiza-se em geral um tratamento a horas fixas, e não a pedido, espaçando-se as tomas de modo a evitar a acumulação dos fármacos e reduzindo as doses.

Graças às recomendações da OMS, a prescrição da morfina para combater a dor aumentou. A analgesia auto controlada, por exemplo, permite administrar morfina por via intravenosa ali subcutânea com uma eficácia notável. Todavia, deve avaliar-se a dor com cuidado, a fim de não receitar morfina senão nos casos necessários. Por outro lado, se é certo que este produto não deve ser retirado do tratamento da dor na pessoa idosa, tão-pouco deve servir de justificação para aliviar a consciência do terapeuta e evitar-lhe a preocupação de tratar a doença!
  • Agir localmente
As chamadas técnicas invasivas levam os produtos directamente ao nível da zona dolorosa: corticosteróides em infiltrações intra-articulares ou anestésicos locais em bloqueios anestesiológicos. As infiltrações intra-articulares são utilizadas em casos de reumatismo. Os bloqueios anestesiológicos são, em regra, reservados às dores rebeldes de uma zona limitada (braço, perna, etc.).

Estes métodos são particularmente eficazes corno complemento de medicamentos, mas não podem ser generalizados, pois implicam riscos, principalmente riscos de infecção, em pessoas fragilizadas. A neurocirurgia da dor está especialmente indicada em patologias bem definidas, como a nevralgia do trigémeo, quando não cede ao tratamento médico.
  • Com cuidado
Sabe-se que os idosos não toleram muito bem os medicamentos alopáticos, e é por isso que os sistemas de tratamento menos agressivos representam um meio eficaz de alívio sem apresentar a desvantagem dos efeitos secundários.

Qualquer que seja a origem das dores, podem (e devem) experimentar-se alguns sistemas de tratamento alternativos. Por esse motivo, associam-se muitas vezes aos medicamentos técnicas não-medicamentosas (acupunctura, e electroacupunctura, por exemplo), técnicas físicas (electroterapia, massagens, aplicação de calor ou de frio, mesoterapia) e, em certos casos, mesmo a homeopatia.

A estimulação nervosa eléctrica transcutânea permite também combater certas dores muito localizadas: sequelas de lesões nos nervos pós-traumáticas, pós-cirúrgicas ou pós-infecciosas (dores que se seguem a uma crise de zona).
  • A ajuda das associações
Em matéria de cuidados e de ajuda a idosos no domicílio, existem em vários países ocidentais numerosas associações que organizam as ajudas em casa, as visitas dos cinesiterapeutas, das enfermeiras, etc., principalmente no meio rural.

Em Portugal, e sobretudo fora dos centros urbanos, esse apoio, público ou privado, é insuficiente, pelo que o doente idoso fica dependente da família e de amigos. Se tem um familiar idoso nestas circunstâncias, tente, com tempo, programar alguma ajuda através da sua junta de freguesia, do centro de saúde da área da residência do doente ou da Misericórdia.
  • Um fim de vida sem sofrimento
No mundo contemporâneo, a morte mudou de rosto: cada vez mais as pessoas morrem no hospital, num ambiente asséptico, longe de casa.

Já não se reúne a família, já não há velório. Este fenómeno social deu origem em alguns países ao desenvolvimento do acompanhamento dos moribundos e dos cuidados paliativos, em que profissionais e voluntários acompanham os doentes terminais, aliviando-lhes a dor dos últimos momentos. Em Portugal, estas preocupações começam agora a traduzir-se em acções concretas.


texto retirado daqui

1 comentário:

A. João Soares disse...

Amiga Fê,

Mais um bom trabalho que nos traz. Vale a pena ser lido com atenção e aplicado quando oportuno. Temos o direito de ter um final de vida com qualidade e contribuir para que os outros também o tenham
.
Além da medicação há como diz o acompanhamento paciente, compreensivo, com ternura, para evitar a sensação de solidão dos idosos, que seremos nós daqui a mais ou menos tempo.

Beijos
João
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