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sexta-feira, 8 de março de 2019

TRATAMENTO DE TRIGLICERÍDEOS

Qual o tratamento para triglicerídeos altos?

Por Dra. Nicole Geovana
Medicina de Família e Comunidade

O tratamento para triglicerídeos altos consiste principalmente de mudanças no estilo de vida, como mudanças na dieta, prática de exercícios físicos e perda de peso. Tais medidas incluem:

• Atingir e se manter no seu peso adequado;
• Ingerir alimentos com baixo teor de gordura saturada, trans e colesterol;
• Aumentar o consumo de fibras alimentares pode reduzir em até 20% os níveis de triglicerídeos;
• Praticar pelo menos 30 minutos de atividade física por dia;
• Não fumar; • Restringir o consumo de bebidas alcoólicas;

• Reduzir a ingestão de carboidratos, principalmente açúcar branco e doces.

Muitas pessoas com triglicerídeos elevados têm doenças de base ou desordens genéticas, como diabetes e obesidade, o que torna fundamental manter essas doenças/desordens sob controle.

Se as mudanças no estilo de vida não forem suficientes para baixar os triglicerídeos elevados, o médico poderá prescrever medicamentos como o gemfibrozil, que atua sobre os triglicerídeos e ao mesmo tempo também aumenta os níveis de colesterol HDL, o chamado “colesterol bom”.

O tratamento para triglicerídeos altos pode ser prescrito pelo/a clínico/a geral, médico/a de família, endocrinologista ou cardiologista.

segunda-feira, 4 de março de 2019

É ARRISCADO EVITAR PRODUTOS COM GLÚTEN OU LACTOSE SEM RAZÃO CLÌNICA

Produtos sem glúten e sem lactose cada vez mais procurados. Mas há riscos
190304. Por Lusa

A moda dos alimentos sem glúten e sem lactose fez disparar o seu consumo nos últimos anos, mas os nutricionistas alertam que estas substâncias só devem ser retiradas da alimentação quando existe uma razão clínica para o fazer.

Nos últimos três anos, a venda destes produtos aumentou, havendo cadeias de supermercados que decidiram criar uma gama de produtos de marca própria.

Nos supermercados Pingo Doce, as vendas de produtos biológicos cresceram 180%, as dos sem glúten 20% e as dos sem lactose 54%, segundo dados da empresa disponibilizados à Agência Lusa.

"O aumento da procura deste tipo de produtos" e o trabalho desenvolvido para "os disponibilizar a preços muito competitivos contribuem para este crescimento", afirma a cadeia de supermercados.

Também o Continente registou um crescimento superior a 90% nas categorias de produtos sem glúten e lactose e produtos biológicos.

"Há, actualmente, um foco nestas duas categorias porque o mercado assim o exige: entre os consumidores que necessitam de produtos alternativos (por motivos de saúde, como doença celíaca) e os consumidores que, sem o mesmo grau de necessidade, consideram que estes produtos contribuem para um estilo de vida mais saudável, o aumento da procura tem sido muito expressivos nos últimos anos", refere a empresa à Lusa.

Se este crescimento pode ser visto como um sinal de que a população está mais preocupada em ter uma alimentação saudável, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, alerta para o facto de haver "muita confusão e muito falso conceito" à volta desta procura.

Para a bastonária, a procura de "mais saúde para viver melhor" não implica retirar da alimentação qualquer tipo de alimento ou de nutriente.

"Pelo contrário, eliminar um determinado nutriente ou alimento sem uma patologia que o justifique, por uma crença ou por alguma passagem de informação que porventura não é credível", ou por modas, "até pode aumentar o risco de vir a ter uma deficiência de algum nutriente", adverte em declarações à Lusa. A decisão de eliminar o glúten ou a lactose deve ser tomada de "forma consciente e orientada por um nutricionista", ou seja, deve haver "uma razão clínica" para o fazer.

"As pessoas com intolerância ao glúten representam cerca de 5% da população. Todos os outros não devem estar a excluí-lo até porque não há evidência científica que suporte os benefícios para a saúde de uma dieta isenta de glúten", defende a bastonária.

Uma posição corroborada pelo director da Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Pedro Graça, que defende que as pessoas que receiam ter doença celíaca ou serem intolerantes à lactose devem contactar o médico de família.

A doença celíaca, uma patologia autoimune causada por reacção ao glúten, muito presente no trigo, pode surgir em qualquer idade e tem efeitos penalizadores a nível gastrointestinais, sendo fundamental um diagnóstico atempado porque "o único tratamento disponível é uma dieta sem glúten para toda a vida", disse o nutricionista.

Segundo Pedro Graça, as pessoas que não são intolerantes ao glúten e à lactose, mas que, por moda, começam a consumir produtos sem esses nutrientes arriscam-se a ficar com intolerância.

"A digestão da lactose necessita de uma enzima que está no intestino (lactase). Se as pessoas abandonam totalmente o consumo de produtos lácteos por receio de serem intolerantes à lactose, mas não forem, o que pode acontecer" é que essa enzima deixa de ser estimulada e pode ter tendência a desaparecer.

Por esta razão, só se deve eliminar a lactose e o glúten depois de o médico confirmar, através de testes específicos, que há intolerância, defende Pedro Graça.

O especialista sublinha que esta confirmação é "muito importante" porque os produtos sem lactose e sem glúten são mais caros e os consumidores "podem estar a pagar mais e a modificar a sua alimentação sem razão aparente".

Além disso, muitos destes alimentos têm mais calorias: "Algumas pessoas que entendem que para fazer dieta devem retirar alimentos com glúten é um contrassenso porque até podem ter um valor energético excessivo", acrescentou a bastonária dos nutricionistas.

Os dois nutricionistas salientam, no entanto, a importância de a indústria inovar e oferecer uma maior variedade para quem tem estes problemas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

SETE ALIMENTOS QUE PREVINEM CANCRO

Sete alimentos que previnem aparecimento de cancro da mama
190215. Por Liliana Lopes Monteiro

 Não só são alimentos deliciosos, como vários estudos atestam que contribuem para prevenir o aparecimento de tumores mamários.

© iStock

Para a manutenção de uma ótima saúde do organismo, seguir uma dieta equilibrada com muitas frutas, verduras, legumes e grãos, é essencial.

O consumo de uma boa alimentação combate o aparecimento de vários tipos de doenças, coronárias, diabetes e inclusive de tumores, como é o caso do cancro da mama.

Segundo a nutricionista Débora La Regina, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), no Brasil, em declarações à publicação Minha Vida, mudanças na alimentação acontecem logo após a primeira consulta. "Tal acontece não porque as condições de saúde exigem tratamento especial, mas porque, na maioria das vezes, faltam nutrientes essenciais que ajudariam na prevenção desse tipo de cancro”, afirma.

Eis sete alimentos que deve incorporar já na sua dieta: 

Frutas Vermelhas

"Frutas vermelhas, como framboesas e amoras, contêm fitonutrientes anticancerígenos chamados antocianinas que retardam o crescimento de células pré-malígnas e evitam a formação de novos vasos sanguíneos, que podem alimentar um tumor", explica a nutricionista Daniela Cyrulin, da Nutri & Consult, à mesma publicação.

Cenoura

Uma pesquisa realizada pela Harvard School of Public Health, nos Estados Unidos, revelou que a cenoura é um alimento eficaz na prevenção contra o cancro da mama. A pesquisa concluiu que consumir duas porções do vegetal todos os dias reduz o risco de desenvolver a doença em até 17%.

Uvas

De acordo com Débora La Regina, estudos já revelaram que os flavonóides, presentes nas uvas, podem retardar o crescimento de células malignas no organismo. A especialista alerta, entretanto, para que os fãs de vinho tinto não abusem da bebida...

Romã

Um estudo publicado na revista Cancer Prevention Research, sugere que as romãs podem ajudar na prevenção contra o cancro da mama. Os investigadores analisaram a interação dos compostos do fruto com a enzima aromatase, responsável pela produção de estrogénio e fundamental para o surgimento de células cancerígenas, concluindo que o fruto inibe a sua ação.

Brócolos

"Por meio do estímulo das enzimas do corpo, o sulforano, presente nos brócolos, elimina substâncias que podem originar células cancerígenas no corpo", aponta Daniela.

Especiarias

Investigadores do Comprehensive Cancer Center, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, afirmam que especiarias, como pimenta preta e malagueta, podem atuar na diminuição do aparecimento de células cancerígenas sem danificar as células saudáveis da mama. O efeito benéfico dar-se-á devido aos polifenois, antioxidantes que possuem ação antinflamatória.

Soja

Soja e derivados, como leite de soja e tofu, contêm nutrientes na sua composição conhecidos por fitoestrogénio. Uma hormona semelhante ao estrogénio, produzido pelo corpo feminino a partir da adolescência, ocorrendo dessa forma uma competição entre ambos dentro do organismo. "Essa disputa interfere em enzimas importantes para o desenvolvimento de células cancerígenas", garante a nutricionista Débora La Regina.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

PERIGO DA DESIDRATAÇÃO

Principal causa da confusão mental no idoso
Arnaldo Lichtenstein, médico

Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

- Quais as causas que fazem o avô ou avó terem confusão mental?

Alguns arriscam: "Tumor na cabeça".
Eu digo: "Não".

Outros apostam: "Doença de Alzheimer"

Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma espanta - se... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:

- diabetes descontrolado;
- infecção urinária;
- a família passou um dia inteiro nas compras, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente o avô e a avó, sem sentir sede, deixam de beber líquidos.

Quando não há gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.
A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia), (angina de peito), coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira.

Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.
Mas há outro factor: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de beber água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão:

Os idosos desidratam-se, facilmente, não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água no seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

1 - O primeiro é para os avós: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sumos, chás, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, ananás, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é que, a cada duas horas, beber algum líquido. Lembrem-se disso!

2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam, com frequência, líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que rejeitam os líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, aéreos, falta de atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.
Atitude a ter:
"Dar-lhes líquidos e ir, rapidamente, a um serviço médico".

(*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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sábado, 26 de janeiro de 2019

HÁ CANCROS QUE NÂO DEVEM SER OPERADOS

Há cancros que não precisam ser operados

O Prof.Sobrinho Simões alerta para diagnóstico de cancros que se deviam "deixar sossegados" ...



O patologista Sobrinho Simões alertou hoje que se diagnosticam demasiados cancros que que se deviam "deixar sossegados", sobretudo nos idosos, colocando os doentes num ciclo de tratamentos sem benefícios reais, ressalvando que continua a ser essencial o rastreio precoce.

Falando à agência Lusa à margem de uma palestra promovida pelo International Club de Portugal, Manuel Sobrinho Simões afirmou que "a maluqueira quer de doentes quer de alguns médicos é que está a dar mau resultado", sobretudo nos cancros da tiróide, mama e próstata, "de longe os que têm mais sobre diagnóstico".

"Estamos a fazer diagnósticos de cancros muito pequeninos, que não iam dar chatices" porque não conseguiriam desenvolver-se no tempo de vida restante das pessoas, a maior parte delas idosas, salientou.

Colocando-as no ciclo de tratamentos como a radiologia, os médicos estão, nesses casos, a "desgraçar os doentes", considerou, defendendo que cabe aos médicos serem razoáveis quando as pessoas os procuram para ir numa "caça ao cancro".

Quando um médico fala de cancro a um doente, "é difícil, depois de começar o processo", dizer-lhe depois que o cancro que se detectou é demasiado pequeno para justificar tratamento, reconheceu.

O investigador português, considerado um dos patologistas mais influentes no mundo, defendeu, no entanto, a necessidade de continuar a fazer-se rastreios à população, essenciais para o diagnóstico precoce: "isso é importantíssimo", reforçou.

Só que "há cancros muito agressivos e outros pouco agressivos", destacou.
Num país como a Coreia do Sul, começou a rastrear-se o cancro da tiróide, que passou para quarto tipo de cancro mais frequente, accionando tratamentos e extracções da tiróide que são "caríssimos para o serviço nacional de saúde", mas a mortalidade mantém-se exactamente igual.

Por seu lado, no Japão optou-se por não operar e esperar, repetindo exames anualmente. "Se não crescer, não fazem nada. Têm a mesma mortalidade do que a Coreia do Sul e gastam cem vezes menos", destacou. Manuel Sobrinho Simões afirmou perante a plateia do International Club que as doenças "ajudaram a apurar a espécie humana porque matavam os menos aptos, ficando os mais inteligentes e os mais capazes", mas que as doenças modernas não ajudam a apurar nada, porque "acontecem mais tarde na vida" e não interferem com a capacidade reprodutiva.

Além do cancro, a obesidade, a sida, a tuberculose e a depressão são reflexos de uma civilização de mamíferos que vivem hoje numa sociedade de abundância mas cujos genes foram moldados por condições extremamente difíceis, frisou.

"Não mudámos nenhum gene nos últimos 100 anos", afirmou, notando que os humanos mantêm o apetite que os seleccionou como espécie de sucesso há centenas de milhares de anos mas humanos a comerem "111 quilos de carne" por ano, como acontece com os portugueses, tem "custos na água, na energia, na saúde, no planeta".