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domingo, 18 de outubro de 2009

Café reduz risco de Alzheimer

Estudo publicado na Journal of Alzheimer’s Disease* sugere que o consumo regular de café tem um impacto positivo sobre o sistema nervoso central, reduzindo o risco de aparecimento das doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

O consumo de café não ajuda apenas a manter-nos acordados! Tudo indica que o consumo regular e contínuo de café interfere positivamente no sistema nervoso central e estimula o cérebro, ao ponto de prevenir ou retardar o aparecimento da doença de Alzheimer.

O estudo Cardiovascular Risk Factors, Aging and Dementia (CAIDE), da responsabilidade da Universidade de Kuopio (Finlândia) em colaboração com o Instituto Karolinska (Suécia) e o Instituto Nacional de Saúde Pública Finlandês, decorreu durante 21 anos e acompanhou um grupo de cerca de 1400 homens e mulheres. As observações finais revelaram que apenas 61 dos participantes desenvolveram algum tipo de doença neurodegenerativa, dos quais 48 Alzheimer.

Controlados os factores sócio-económicos e de saúde dos participantes que pudessem interferir no resultado (colesterol, tensão arterial), os investigadores constataram que os que bebiam entre três a cinco cafés por dia estavam 65% mais protegidos de desenvolver algum tipo de doença neurodegenerativa, quando comparados com os que bebiam dois ou menos cafés por dia.

O neurologista Miia Kivipelto, do Instituto Karolinska, coordenador do estudo, reforça que apesar de se tratar de um “estudo observacional”, é possível explicar por que motivo o consumo de café pode reduzir a ocorrência de doenças degenerativas na terceira idade. As razões são simples e prendem-se com a redução dos factores de risco associados a este tipo de doenças.
Primeiro: inúmeros estudos associam o consumo de café a uma menor incidência de diabetes tipo 2;
Segundo: estudos desenvolvidos em animais mostram que a cafeína reduz a formação de placas de ateroma no cérebro;
Terceiro: o café é rico em antioxidantes, que actuam sobre o sistema circulatório, reduzindo o risco de AVC.

Assim, à luz dos conhecimentos actuais, podemos identificar algumas boas razões para beber café:

- O café melhora o estado de alerta e concentração
- O café é rico em compostos antioxidantes, benéficos para a saúde, que oferecem protecção contra várias doenças como as doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro;
- O consumo de café (4 ou mais chávenas/dia) pode diminuir o risco de desenvolver diabetes;
- A ingestão crónica de café pode reduzir o risco de demência;
- O consumo de café está associado a uma menor incidência de doença de Alzheimer e de Parkinson ;
- O café melhora a memória quando existe deterioração cognitiva devido a alguma doença subjacente;
- O consumo de café (4 ou mais chávenas/dia) pode diminuir o risco de desenvolver gota em 40%;
- O café diminui a absorção de glicose (açúcar) no intestino podendo ajudar no controle do peso;

Milai

Publicada por Mara no blogue Sempre Jovens.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Alzheimer. Precauções

A cada 1 minuto de tristeza perdemos a oportunidade de sermos felizes por 60 segundos.

Sobre o Alzheimer
Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor

Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto.

Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranquilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que....', frase que me dá arrepios.

E o que fazer... para evitarmos essas drogas? Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das ideias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afectados pela idade e pela vida 'bandida'.

Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes – muitos nem mesmo tinham consciência disso.

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro.
Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum... Preocupante). Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000) Revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de exercício cerebral projectada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Tente fazer um teste:

- Use o relógio de pulso no braço direito;
- Escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- Ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- Vista-se de olhos fechados;
- Estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- Veja fotos de cabeça para baixo;
- Veja as horas num espelho;
- Faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro!

Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro. Vale a pena tentar!
Que tal começar a praticar agora, trocando o rato de lado?
Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o rato com a mão esquerda?

FAÇA ESTE TESTE E PASSE ADIANTE PARA SEUS (SUAS) AMIGOS (AS).

'Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer! '
Sucesso para você!!!

Recebido por e-mail do amigo de velhos tempos Adry, a quem agradeço a atenção.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Alzheimer - o que se conhece

Apesar de extenso, não deixo de publicar este texto recebido por e-mail da amiga brasileira Gisele Claudya, porque poderá interessar aos mais desejosos de saber.

Mal de Alzheimer – o que se conhece sobre a doença
Artigo de João de Freitas, 07 de Março de 2007

“A doença de Alzheimer (Alois Alzheimer, neurologista alemão que primeiro descreveu essa patologia) provoca progressiva e inexorável deterioração das funções cerebrais, como perda de memória, da linguagem, da razão e da habilidade de cuidar de si próprio”
Dr. Dráuzio Varela:
http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=42

“Sintomas

•Estágio I (forma inicial) – alterações na memória, personalidade e habilidades espaciais e visuais;

•Estágio II (forma moderada) – dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos; agitação e insônia;

•Estágio III ( forma grave) – resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer, deficiência motora progressiva;

•Estágio IV (terminal) – restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição, infecções intercorrentes” (Idem).

“Recomendações

Cuidar de doentes de Alzheimer é desgastante. Procurar ajuda com familiares e/ou profissionais pode ser uma medida absolutamente necessária.
Algumas medidas podem facilitar a vida dos doentes e de quem cuida deles:

• Fazer o portador de Alzheimer usar uma pulseira, colar ou outro adereço qualquer com dados de identificação (nome, endereço, telefone, etc.) e as palavras “Memória Prejudicada”, porque um dos primeiros sintomas é o paciente perder a noção do lugar onde se encontra;

• Estabelecer uma rotina diária e ajudar o doente a cumpri-la. Espalhar lembretes pela casa (apague a luz, feche a torneira, desligue a TV, etc.) pode ajudá-lo bastante;

• Simplificar a rotina do dia-a-dia de tal maneira que o paciente possa continuar envolvido com ela;

• Encorajar a pessoa a vestir-se, comer, ir ao banheiro, tomar banho por sua própria conta. Quando não consegue mais tomar banho sozinha, por exemplo, pode ainda atender a orientações simples como: “Tire os sapatos. Tire a camisa, as calças. Agora entre no chuveiro”;

• Limitar suas opções de escolha. Em vez de oferecer vários sabores de sorvete, ofereça apenas dois tipos;

• Certificar-se de que o doente está recebendo uma dieta balanceada e praticando atividades físicas de acordo com suas possibilidades;

•Eliminar o álcool e o cigarro, pois agravam o desgaste mental;

• Estimular o convívio familiar e social do doente;

• Reorganizar a casa afastando objetos e situações que possam representar perigo. Tenha o mesmo cuidado com o paciente de Alzheimer que você tem com crianças;

• Conscientizar-se da evolução progressiva da doença. Habilidades perdidas jamais serão recuperadas;

• Providenciar ajuda profissional e/ou familiar e/ou de amigos, quando o trabalho com o paciente estiver sobrecarregando quem cuida dele” (Idem).

O que favorece o aparecimento mais precoce da doença?

. “Em termos gerais, podemos dizer que todos nós temos uma programação genética para o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer.

. Quem tem ancestral directo com a doença apresenta cinco vezes maior probabilidade de tê-la.

. Trisomia 21 (mongolismo) causa Alzheimer já aos 40 anos.

. Qualquer condição de sobrecarga do cérebro antecipa a doença. Assim, traumatismos cerebrais, múltiplos infartos ou sangramentos cerebrais, depressão crónica, entre outras, facilitam a doença.
(Geração Saúde, Ano II, nº 24, pág. 22).

TABACO E ALZHEIMER - “Estudo acompanhou 6.870 homens e mulheres, com mais de 55 anos, num bairro de Roterdã (Holanda). Destes, 146 desenvolveram doenças cerebrais. Os pesquisadores descobriram que os fumantes tinham 2,2 mais chances de desenvolver algum tipo de demência” (O Globo, 19/06/98) e (Jornal do Brasil, 19/06/98).

“Não é possível prevenir, mas sim retardar!

. Exercício físico é o mais importante. Já foi demonstrado que quanto mais, melhor, mesmo quando a doença já estiver instalada.

. Exercício mental. Fala-se de ‘reserva cognitiva’, isto é, quanto maior fosse a bagagem cultural, o conhecimento e seu uso por uma pessoa, mais tarde teria ela a doença.

. Estatinas, que se usa para baixar colesterol.

. Antidepressivos, quando necessários.

. Naturalmente, tentar evitar as doenças que predispõem a doença vasculares no cérebro, como hipertensão e diabetes” (idem).

Actividade física pode retardar mal de Alzheimer

Os primeiros sintomas do mal do Alzheimer podem ser mais físicos que mentais e uma pequena quantidade de actividade física poderia retardar o desenvolvimento desta doença degenerativa, diz um estudo publicado hoje.
O trabalho publicado pela revista Archives of Internal Medicine e dirigido por Li Wang, da Universidade de Washington em Seattle, examinou 2.288 indivíduos com mais de 65 anos de idade, que não mostravam sinais de demência no início da pesquisa.

Os pesquisadores acompanharam os casos destas pessoas durante seis anos, com contactos a cada dois anos para avaliarem seus desenvolvimentos físico e mental.

Seis anos depois, 319 participantes tinham desenvolvido demência, dos quais 221 demonstravam sintomas de mal de Alzheimer.

Os participantes que apresentavam melhores níveis físicos no início do estudo tinham três vezes menos possibilidades de desenvolverem demência do que aqueles cuja actividade corporal era mais reduzida.

"Todos esperavam que os primeiros indícios de demência fossem sutis alterações cognitivas", declarou Eric Larson, director do Centro para Estudos de Saúde da universidade. "Fomos surpreendidos pela constatação de que as mudanças físicas podem vir antes das mentais".

Desta maneira, a demência e o mal de Alzheimer, considerados como doenças do cérebro, podem estar intimamente ligados à condição de todo o corpo, acrescentou Larson.

Em Janeiro passado, a mesma revista publicou outro artigo no qual os pesquisadores afirmaram que as pessoas que fazem exercício regularmente têm menos probabilidades de desenvolver demência e o mal do Alzheimer.

"A causa desta vinculação não é clara", diz o trabalho. "O novo estudo sugere uma possível vinculação, que o exercício regular ajude a interromper a demência porque melhora e mantém a condição física".

Os resultados do estudo mais recente sugerem que "no envelhecimento há um vínculo estreito entre a mente e o corpo", disse Larson.

"O desempenho físico e mental podem caminhar juntos, e qualquer coisa que alguém puder fazer para melhorar um, provavelmente melhorará o outro", declarou.

Segundo o analista, "se as pessoas começarem a notar diminuições em sua condição física, a retomada do exercício e da atividade pode ajudá-los a deter ou a frear esta diminuição, o que acabaria reduzindo o risco de uma deterioração cognitiva precoce".

“AMSTERDAM - Exercitar-se regularmente e manter uma dieta saudável podem colaborar para a redução do risco de desenvolver a doença de Alzheimer, disse uma especialista na quinta-feira.

Um recente estudo finlandês mostrou que pessoas de meia-idade que fazem atividade física pelo menos duas vezes por semana podem reduzir em até 50% o risco de ter Alzheimer mais tarde,
afirmou a neurologista Miia Kivipelto numa conferência em Amsterdam.

- Uma vida activa, tanto física quanto mental e socialmente, é preventiva. Nunca é tarde para começar a prevenir a doença de Alzheimer - disse Kivipelto, especialista em Alzheimer do Centro de Pesquisa de Gerontologia de Estocolmo.

Estima-se que 12 milhões de pessoas no mundo todo sofram de Alzheimer, que é a principal causa de demência em idosos. Não há cura para esse problema, que rouba das pessoas sua memória e sua capacidade de raciocínio, mas medicamentos podem aliviar os sintomas".
(Globo Online, 03/03/2005).
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=18789&cat=Artigos&vinda=S

Alzheimer. Dia Mundial da doença

Alzheimer: “As pessoas passam ao lado, pensam que são sem-abrigo”
Público. 21.09.2009 - 09h01 Catarina Gomes

Hoje é o Dia Mundial dedicado a esta doença

Muitos doentes dependem da associação de familiares e amigos

Se calhar até já passou ao lado de um doente de Alzheimer perdido mas não ligou. Se calhar até se cruzou com o pai de Maria no dia em que ele saiu de casa e andou desaparecido “uma tarde inteira”. “As pessoas passam ao lado, pensam que são sem-abrigo”, alerta a filha de um doente de Alzheimer de 67 anos, diagnosticado há sete.

“Há sinais de que algo não está bem”, diz. “O meu pai estava limpo e arranjado e fugiu com uma manta às costas”, uma reminiscência do tempo em que trabalhava na agricultura e acartava com sacas.

A doença de Alzheimer é um tipo de demência que origina uma deterioração progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, como a memória, a atenção, a concentração, a linguagem e o pensamento. Caracteriza- se por morte neuronal em determinadas partes do cérebro. Hoje é Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

Esse dia acabou bem, conta Maria: “A polícia encontrou-o.” O pai não soube explicar onde tinha andado, só perceberam que tinha caído porque tinha “a canela esfolada”. Foi “o susto” que levou Maria a inscrever-se no Rumo Seguro, um programa de reencaminhamento de doentes de Alzheimer que usam uma pulseira ou um colar com um número de telefone (808101212) e um código do cuidador do doente.

Um dos sintomas da doença é a desorientação espácio-temporal – a deambulação verifica-se em 60 por cento dos doentes. “Eles gostam de andar, dá-me a sensação de que se sentem livres”, tenta explicar Maria.

Casos de sucesso

O seu pai voltou a fugir mas, desta vez, demorou menos de uma hora a reencontrá-lo. Foi um dos oito casos de sucesso desde que o programa nasceu, no ano passado, em cerca de 200 cuidadores inscritos, informa Mariana Nunes de Almeida, responsável pelo programa. As entidades que mais reencaminham doentes são os bombeiros e a polícia, com quem o programa tem acordos.

“Ainda não aconteceu ser um cidadão a dar o alarme” mas a responsável alerta: “Se virmos uma pessoa que nos parece desorientada, no mínimo pode-se abordá-la. Perguntar se está tudo bem. Se precisa de ajuda. E encaminhá-la para uma esquadra ou bombeiros.” “São 90 mil doentes de Alzheimer em Portugal, são muitos.”

A maior parte dos cuidadores são filhos de doentes e a maioria vive em espaços urbanos, refere Mariana Nunes de Almeida. Ou seja, os doentes vagueiam sobretudo em cidades.

A viver no Porto, Maria de Lurdes Monteiro, administrativa de 35 anos, perdeu a conta às vezes em que a mãe lhes fugiu, a ela e ao pai. Começou por desaparecer durante a noite, quando estavam os dois a dormir. Uma vez apanhou um autocarro e foi até ao fim do percurso. Foi o motorista quem acabou por perceber que algo não estava bem e atendeu o telemóvel que a mãe ignorou toda a noite.

Depois de terem mudado a fechadura da porta de casa e escondido a chave, minoraram o problema mas não o resolveram. “Foge duas vezes por semana, no mínimo. Basta distrairmo-nos um bocadinho”, por exemplo, o instante que leva a parar para tirar dinheiro num multibanco.

Como a mãe perdia tudo tiveram que lhe tirar os documentos, ficou sem nada que a identificasse, depois teve que ser o dinheiro. Se se perder não tem nada. Foi por isso um alívio quando a mãe, que tem 60 anos e era doméstica, finalmente aceitou usar o colar do programa Rumo Seguro. Uma primeira vez arrancou-o, mas agora usa-o como adorno.

Maior segurança

Ainda não teve que accionar o programa, mas sente-se “mais segura”. “Tivemos sorte, costumam ser fugas de uma hora”, diz Maria de Lurdes. A mãe, que dantes “pintava as paredes de casa, pregava pregos, mudava lâmpadas” e agora “não fala, não escreve, não se veste sozinha”, tende a fazer um percurso que lhe era familiar, “do tempo em que ia ter com as amigas à Baixa do Porto”. Primeiro sobe a Rua Pinto Bessa, desce a do Bonfim, desemboca na Fernandes Tomás. “O meu maior receio é se um dia nos troca as voltas.”

O mundo familiar dos doentes vai mirrando, constata José Manuel, bancário de 39 anos. A mãe, de 81 anos, diagnosticada há seis meses, tinha passe social e andava por Lisboa inteira. Hoje percebe que “só conhece a zona à volta da casa, vai ao supermercado, ao café”. A medicação que está a tomar atrasa a evolução da doença mas não impede a sua progressão.

A mãe ainda percebeu quando lhe disseram a razão por que usava a pulseira no pulso, mas nunca lhe disseram que tem Alzheimer. “Mesmo que se dissesse ela não percebia, perdeu essas faculdades intelectuais.”

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alzheimer

Lembram que antes se dizia: Fulano tá caduco!!! Pois é...e pior que não tem idade, parente de um conhecido começou com a doença aos 52 anos, assustador, hoje não reconhece ninguem.

A cada 1 minuto de tristeza perdemos a oportunidade de sermos felizes por 60 segundos.

Sobre o Alzheimer Roberto Goldkorn, psicólogo e escritor, escreve.

Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas
demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranquilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que....', frase que me dá arrepios.

E o que fazer... para evitarmos essas drogas? Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afectados pela idade e pela vida 'bandida'.

Meu conselho é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer.. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha?
Hum... Preocupante). Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurónios', é uma nova forma de exercício cerebral projectada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de actividades dos neurónio em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho
adicional.

Tente fazer um teste:

- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro!

Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.

Vale a pena tentar!

Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?

Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o mouse com a mão esquerda?

FAÇA ESTE TESTE E PASSE ADIANTE PARA SEUS (SUAS) AMIGOS (AS).

'Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer!'

Sucesso para você!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Alzheimer

Descobertos três genes relacionados com Alzheimer
Público. 06.09.2009. Lusa

Maior avanço nos últimos 15 anos

Dois grupos de cientistas (Reino Unido e França) deram um "grande passo em frente" na investigação do Alzheimer, identificando três novos genes, o que poderá no futuro reduzir até 20 por cento as taxas de incidência da doença.

Julie Williams, professora da Universidade de Cardiff (Gales), que esteve à frente da equipa do Reino Unido, afirmou após a publicação da investigação na revista científica "Nature Genetics" que se trata "do maior avanço conseguido na investigação do Alzheimer nos últimos 15 anos".

Os investigadores calculam o potencial desta descoberta e asseguram que, neutralizando a actividade dos genes em causa, se poderão evitar num país como o Reino Unido (com uma população de 61 milhões) 100.000 novos casos por ano da variante mais habitual do Alzheimer, a que afecta os mais idosos.

O Alzheimer, para o qual não existe um tratamento eficaz, é uma doença neurodegenerativa que se manifesta por alterações cognitivas e comportamentais devido à morte de neurónios e à atrofia do cérebro.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 0,379 por cento da população mundial sofria da doença em 2005, percentagem que aumentará para 0,441 em 2015 e para 0,556 em 2030, à medida que a população vai envelhecendo.

A identificação dos três genes é a primeira que é divulgada desde 1993.

Dois dos genes, denominados CLU e PICALM, foram identificados pela equipa britânica e o terceiro, denominado receptor complementar 1 (ou CR1), pela equipa francesa. O CLU tem uma qualidade protectora do cérebro e ajuda-o a desfazer-se dos amilóides, uma proteína potencialmente destrutiva. Segundo o estudo, também ajuda a reduzir as inflamações no cérebro causadas por uma resposta excessiva do sistema imunitário, função que partilha com o CR1.

O PICALM está relacionado com o transporte de moléculas até às células nervosas e com o funcionamento das sinapses, o processo de conexões neuronais que ajudam a formar a memória do indivíduo.

Ter determinadas versões destes genes aumenta entre 10 e 15 por cento o risco de sofrer de Alzheimer.

O estudo britânico é a maior investigação sobre o Alzheimer até agora, com o acompanhamento do ADN de mais de 16.000 pessoas durante dois anos e a análise de um milhão de variações do código genético associadas com a doença.

A professora Williams declarou à imprensa que "se se conseguisse eliminar os efeitos prejudiciais daqueles genes através de tratamentos poder-se-ia reduzir a percentagem de pessoas a desenvolver Alzheimer em 20 por cento".